O guia do diabético como determinante da efectividade do programa nacional de controlo da diabetes: papel que deve desempenhar, funções que objectivamente desempenha e percepções dos seus utilizadores

A diabetes mellitus é cada vez mais considerada uma pandemia. Em Portugal, no ano de 1998, foi implementado o Guia do Diabético integrado no Programa Nacional de Controlo da Diabetes (PNCD). Passados cinco anos sobre a implementação deste Guia propõe-se a realização de um estudo exploratório transversal, cujo principal objectivo é caracterizar as percepções de utilização do documento dos diferentes elementos envolvidos no PNCD: os profissionais de saúde e o próprio doente.

A diabetes mellitus é cada vez mais considerada uma pandemia, em especial nos países desenvolvidos, sendo também considerada uma ameaça crescente para os países em vias de desenvolvimento. Esta situação é justificada pela alteração da alimentação e pela adopção de hábitos de vida cada vez mais sedentários.

Em Portugal existe implementado um Programa de Saúde dedicado ao controlo da doença, e à prevenção do desenvolvimento das complicações da Diabetes, responsáveis pela elevada morbilidade e mortalidade associadas à doença.

Desde 1998 foi implementado, integrado no Programa Nacional de Controlo da Diabetes (PNCD), o Guia do Diabético, um documento que deve acompanhar sempre o doente, identificando-o, e que teve como objectivos subjacentes ao seu desenvolvimento e implementação, a responsabilização do doente diabético na gestão da sua doença, bem como permitir o intercâmbio de informação relativa ao doente entre os diferentes profissionais de saúde que com ele trabalham.

Os cuidados de saúde, quando implementados, visam obter resultados ou "ganhos" de saúde e bem-estar para os cidadãos e para a comunidade em geral. Assume-se que assim acontece, sendo, no entanto, rara a avaliação dos resultados decorrentes das intervenções realizadas.

Nesta perspectiva, e passados que estão cinco anos sobre a implementação do Guia do Diabético em Portugal, propõe-se a realização de um estudo exploratório transversal, cujo principal objectivo é caracterizar as percepções de utilização do documento dos diferentes elementos envolvidos no PNCD: os profissionais de saúde e o próprio doente.

Apesar da inovação subjacente aos objectivos de criação e implementação do Guia do Diabético no PNCD em Portugal, pode concluir-se pelo presente trabalho que, na prática, a sua utilização não está a permitir alcançar os objectivos que estiveram na sua origem. O Guia do Diabético não está a ser utilizado no seu máximo potencial pelos diferentes intervenientes no PNCD, não havendo inclusivamente, a noção de propriedade pelo seu principal utilizador: o diabético.

Os profissionais de saúde consideram o documento necessário, na sua essência, não o considerando, no entanto, adequado às necessidades do diabético, principalmente no que diz respeito ao tipo de informação que contém e a forma como ela está apresentada, mas também à realidade do sistema de saúde onde se encontra integrado.

Os resultados obtidos com este estudo deverão ser considerados apenas de uma forma contextualizada, ou seja, tendo em conta as condições em que foi realizado e o tipo de centro de saúde, não sendo no entanto de espantar que estes mesmos resultados se repitam em outros locais.

Enquadrando os resultados obtidos neste estudo numa perspectiva de Saúde Pública poderão equacionar-se algumas alterações possíveis no delineamento do PNCD, no sentido de integrar o diabético nas diferentes decisões a tomar, uma vez que é ele o elemento central de todo o Programa, sendo também o principal beneficiado de um Programa de Saúde perfeitamente adaptado às necessidades daqueles a quem se dirige.

Por todas as razões apresentadas é possível concluir que ainda muito está por fazer relativamente à Diabetes mellitus, podendo considerar-se entreabertas algumas portas para futuros estudos de investigação.