Conceito de Gestão da Doença

Autor: 
João Guerra

A Associação Americana de Gestão da Doença (Disease Management Association of America), primeira organização internacional exclusivamente dedicada a questões relacionadas com as doenças crónicas define a gestão da doença, como "um sistema de intervenções e de comunicações coordenadas de cuidados de saúde para populações, com condições nas quais os esforços de auto-cuidados são significativos".

A gestão da doença suporta:

  1. Apoios ao plano de cuidados e à relação médico doente.
  2. Ênfase na prevenção de exacerbações e complicações utilizando guidelines práticas baseadas na evidência e estratégias de empowerment< dos doentes.
  3. Avaliação de resultados clínicos, humanísticos e económicos, numa base contínua e com o objectivo de melhorar a saúde global.

As componentes da gestão da doença incluem*:

  1. Processos de identificação de populações;
  2. Guidelines práticas baseadas na evidência;
  3. Modelos de prática colaborante que incluam o médico e prestadores de serviços de apoio;
  4. Educação do doente para a auto-gestão (devendo incluir a prevenção primária, programas de modificação comportamental e de adesão/vigilância);
  5. Gestão, avaliação e medição de indicadores de processo e de resultados;
  6. Relatórios de rotina/informação de retorno (devendo incluir comunicação com o doente, médico, plano de saúde, serviços auxiliares e perfis de prática).

*Nota: um serviço completo de programas de gestão da doença deve incluir a totalidade das seis componentes. Os programas que consistem em menor número de componentes são serviços de apoio à gestão da doença.

 

Link: www.dmaa.org<

 

Segundo Todd WE (1998) a gestão da doença é definida como uma "gestão proactiva de cuidados globais ao doente, baseada num sistema e dirigido por médicos, através do continuum de cuidados, com o objectivo de melhorar os resultados no doente e de reduzir os custos totais dos cuidados". Esta nova definição, chama a atenção para dois aspectos essenciais que importa realçar: a) introduz uma diferença entre as organizações que praticam a gestão da doença de uma forma compreensiva, das que fazem a provisão limitada de serviços de gestão da doença; b) enfatiza a ideia de um "sistema coordenado de cuidados". Segundo Villagra (2001) a palavra-chave é sistema, querendo com isso enfatizar que a gestão da doença organiza uma variedade de serviços à volta de uma doença ou combinação de doenças que coexistam num mesmo indivíduo e que esta organização e coordenação elevam o nível dos cuidados que essa pessoa recebe. Não basta, por isso, acrescentar componentes aos já existentes.

O termo que é uma tradução literal da designação americana disease management foi registado pela primeira vez pela consultora americana Boston Consulting Group em Abril de 1993 no relatório "The Changing Environment for US Pharmaceuticals" (BCG, 1993). Ele emerge do contexto dos cuidados geridos [managed care<], cuja abordagem prevalente em 1980 era a gestão da componente (p.ex.  internamento, medicamentos, exames complementares). Neste relatório foram identificadas as principais razões para justificar a falência da abordagem da gestão da componente isolada são:

  1. A falha no reconhecimento das inter-relações entre os custos através das componentes;
  2. Análise da componente de tratamento e não da doença, como unidade central de custos;
  3. Afastamento dos médicos, dos gestores de cuidados de saúde.
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