O impacto das políticas de saúde na satisfação dos utentes e no acesso aos cuidados de saúde primários

Estudo de Caso na Unidade de Saúde Familiar Marginal Centro de Saúde de Cascais

Desde a sua criação, no inicio da década de 70, que os cuidados primários representam a porta de entrada para a prestação de cuidados. Todavia, muitas têm sido as dificuldades sentidas e as tentativas de introduzir mudanças que respondam aos sucessivos problemas organizacionais, estruturais e burocráticos, que se traduzem em acesso insuficiente e debilidade nos cuidados.

Os grandes objectivos da reforma iniciada em 2005, centraram-se na obtenção de mais e melhores cuidados de saúde para os cidadãos, no aumento da acessibilidade, proximidade e qualidade e consequente aumento da satisfação dos utilizadores. Pretendia-se também aumentar a satisfação dos profissionais, criando boas condições de trabalho, melhorando a organização e repensando as boas práticas, melhorando-se a eficiência e promovendo a contenção de custos.

Através da realização de um estudo de caso numa USF em actividade (USF Marginal), aplicou-se um questionário aos utentes, de forma a comprovar no terreno o alcance dos objectivos da reforma, com o objectivo de descrever os resultados obtidos ao nível da satisfação dos utentes e de melhoria do acesso aos cuidados, através da mudança organizacional.

O estudo permitiu concluir que dos 173 utentes inquiridos, os 21 inquiridos sem médico de família correspondem a 12,1% do total e é interessante ver a coincidência, uma vez é quase a mesma percentagem (12,5%) de utentes a descoberto a que as 1790 USF em actividade permitiram o acesso, através da nomeação de um médico de família. Relativamente à melhoria do acesso, comparando a situação no centro de saúde com a situação actual, em USF, 81,5% dos inquiridos afirma que a situação melhorou, ou melhorou muito.

Os dados obtidos no terreno, através da aplicação dos questionários aos utentes, parecem sugerir melhorias na percepção em relação ao acesso e à satisfação dos utentes, o que se pode verificar pelos indicadores utilizados como a evolução dos métodos de marcação de consulta no centro de saúde e na USF, pela diminuição do número de dias entre a marcação e o dia da consulta para casos não urgentes, pela melhoria na satisfação em relação á situação de marcação e obtenção de consulta para situações urgentes, pela diminuição do tempo de percurso até à USF, pela melhoria sentida no relacionamento com os profissionais de saúde, pela preocupação demonstrada e pelo atendimento administrativo e cuidados prestados e pela satisfação demonstrada em relação ao tempo destinado ás consultas.