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acessibilidadepesquisar por este termo
A acessibilidade é uma medida de proporção da população que utiliza os serviços de saúde apropriados. A acessibilidade pode ser influenciada por diferentes tipos de factores: financeiros (insuficientes recursos financeiros), geográficos (ex.: distância que têm de percorrer para terem acesso a cuidados), organizacionais (má distribuição e/ou falta de profissionais de saúde), sociológicos (discriminação, barreiras linguísticas, etc.) e também culturais (ex.: "pode uma mulher usar os serviços de saúde materno sendo os profissionais de saúde do sexo masculino?", "irá um recém imigrante utilizar os serviços de saúde se todos os profissionais de saúde forem de etnia diferente?", "será que culturas que considerem a maternidade como algo muito simples e natural irão utilizar os serviços de saúde materna?"). [Adaptado de: Observatório Europeu dos Sistemas de Saúde (www.observatory.dk<)] Sinónimos: accessibility
acesso aos cuidados de saúdepesquisar por este termo
Possibilidade que os indivíduos têm de obter cuidados de saúde apropriados às suas necessidades (temporais, geográficas e financeiras), de modo a alcançarem ganhos em saúde [Adaptado de: OMS (http://whqlibdoc.who.int/wkc/2004/WHO_WKC_Tech.Ser._04.2.pdf<) e Justo (JUSTO, Cipriano – Acesso aos cuidados de saúde. Porque esperamos?. 1ª ed. Lisboa: Campo da Comunicação. Colecção Saúde, 2004.)] Sinónimos: access to health care
administraçãopesquisar por este termo
Estes termos são usados frequentemente de forma equivalente e a opção por uma ou outra denominação prende-se com diferentes escolas e tradições de pensamento, não sendo consensual. Genericamente, significa "realizar objectivos através de pessoas". Compreende os conceitos de "planeamento", "organização", "realização", e "controlo" e inclui actividades como identificação de objectivos, prioridades e sua realização, monitorização e avaliação. O primeiro termo será aqui mais aplicado ao conjunto do sistema de saúde e o segundo mais às organizações e recursos de saúde. Mais frequentemente, neste portal, encontrará "administração da saúde" entendida como definição de objectivos, escolha de processos para os alcançar e realização dos mesmos com as pessoas, como influência através de pessoas (planeamento, organização, direcção e controlo de todos os esforços para atingir os objectivos). A gestão das organizações de saúde será mais frequentemente encontrada com o significado de concretizar, numa organização, os objectivos e valores estabelecidos para o sistema de saúde onde se integra. Compreende todas as acções necessárias para concretizar, numa organização, as metas de saúde nacionais e regionais estabelecidas assim como as necessidades individuais de saúde. Sinónimos: gestão
avaliaçãopesquisar por este termo
Apreciação sistemática da relevância, adequação, eficiência, efectividade, e impacto de uma acção. (The Observatory's Health Systems Glossary. www.observatory.dk<)
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cidadãopesquisar por este termo
Membro de uma comunidade política que tem, por isso, direitos e deveres (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
conhecimentopesquisar por este termo
a informação torna-se conhecimento quando é contextualizada, relevante, autentica, relacionáveis com a experiência.
consultapesquisar por este termo
Dialogo entre políticos e outras pessoas ou grupos que permite troca de informação e de reacções. (Ritsatakis A, Barnes R. Exploring health policy development in Europe. WHO, 2000)
crenças do senso comumpesquisar por este termo
Crenças acerca do mundo social ou natural muito difundidas entre os membros leigos (não-especialistas) da sociedade. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
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dadospesquisar por este termo
observações não organizadas, números, palavras, sons, imagens.
desenvolvimento profissional contínuopesquisar por este termo
O desenvolvimento profissional contínuo envolve aprendizagem profissional e crescimento pessoal. Envolve tópicos menos habitualmente envolvidos na Educação médica contínua, como por exemplo, bioética, gestão, competências em comunicação. O processo pode envolver outros profissionais, para lá do médico, como por exemplo, a equipa de trabalho. O ambiente de formação pode variar podendo ser o próprio local de trabalho. (Adaptado de BMJ 2003; 327: 33-35.) Sinónimos: continuing professional development
determinante de saúdepesquisar por este termo
Conjunto de factores pessoais, sociais, económicos, e ambientais que determinam o estado de saúde dos indivíduos e populações. Os factores que influenciam a saúde são múltiplos e interactivos. A promoção da saúde está fundamentalmente preocupada com a acção necessária para a abordagem dos factores modificáveis – não somente os que estão relacionados com os comportamentos do indivíduos, como os estilos de vida e os comportamentos face à saúde, mas também factores como o rendimento, educação, emprego, e condições de trabalho, acesso a cuidados de saúde e a ambiente adequados. (WHO. Health promotion glossary. Geneva: WHO, 1998)
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educação médica contínuapesquisar por este termo
Refere-se, geralmente, à educação médica após licenciatura e certificação, realizada através da frequência de congressos, cursos ou outras sessões de ensino. É a fase mais longa e mais complexa da formação médica. Muitos dos sistemas de acreditação existentes (por exemplo nos Estados Unidos e Grã-bretanha) valorizam a frequência deste tipo de actividades de ensino. (Adaptado de BMJ 2003; 327: 33-35)
efectividadepesquisar por este termo
Resultados ou conseqüências de determinado procedimento ou tecnologia médica quando aplicados na prática. A efectividade de um programa de saúde distingue-se da sua eficácia pelo facto de fazer referência a situações reais, enquanto o segundo termo se aplica apenas aos resultados obtidos em condições ideais. (Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 4ª edição, 2004)
eficáciapesquisar por este termo
Resultados ou consequências de um tratamento, medicamento, tecnologia ou programa de saúde desde um ponto de vista estritamente técnico ou numa situação de utilização ideal (por exemplo, quando todos os indivíduos aderem à terapêutica).
eficiênciapesquisar por este termo
A relação entre os recursos utilizados e os resultados obtidos em determinada actividade. A produção eficiente é aquela que maximiza os resultados obtidos com um dado nível de recursos ou minimiza os recursos necessários para obter determinado resultado. (Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 4ª edição, 2004)
eficiência na afectaçãopesquisar por este termo
Afectação de recursos adequada, no sentido de não ser possível qualquer reafectação que melhore a situação de um individuo (em termos de utilidade) sem, ao mesmo tempo, piorar a de outro. A eficiência na afectação pressupõe a existência de eficiência técnica. Também designada por eficiência de Pareto. (Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 4ª edição, 2004)
eficiência técnicapesquisar por este termo
Combinação de recursos que atinge um resultado desejado ao mais baixo custo. Também por vezes designada por eficiência operacional ou eficiência de custos. (Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 4ª edição, 2004)
empoderamentopesquisar por este termo
Processo através do qual as pessoas ou as comunidades adquirem maior controlo sobre as decisões e acções que afectam a sua saúde. WHO. Health promotion glossary. Geneve: WHO, 1998 Sinónimos: empowerment
empresarializaçãopesquisar por este termo
O Decreto-Lei nº41/2002, 7 de Março, cria a possibilidade dos hospitais passarem de “institutos públicos sob a espécie de estabelecimentos de carácter social, integrados no sector público administrativo” para “entidades típicas do sector empresarial do Estado”.
equidadepesquisar por este termo
Distribuição justa de determinado atributo populacional. O conceito de equidade não é necessariamente equivalente a igualdade, embora os dois termos sejam por vezes usados como sinônimos. Quando se define equidade na prestação de saúde em termos de igualdade, o conceito envolve duas dimensões importantes: a equidade horizontal - tratamento igual de indivíduos que se encontram numa situação de saúde igual; e equidade vertical - tratamento apropriadamente desigual de indivíduos em situações de saúde distintas. A equidade tem a ver com justiça, tem uma dimensão ética relacionada com a redistribuição de algo de acordo com as necessidades referentes a esse algo, é um conceito relativo. A igualdade é um conceito mais absoluto, não tem necessariamente uma conotação ética. A igualdade, compara níveis de saúde, de recursos, de acesso, etc., entre indivíduos e comunidades, independentemente de critérios associados às necessidades desses indivíduos ou comunidades. Algumas desigualdades são esperadas e fáceis de prever, sem necessariamente reflectirem iniquidade. (Adaptado de Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 1992 e OPSS, Relatório da Primavera)
esfera públicapesquisar por este termo
Termo associado ao sociologo alemão Jurgen Habermas. A esfera pública é um espaço de debate público e de discussão nas sociedades modernas. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
estratégiapesquisar por este termo
Acção desencadeada por uma organização para atingir um ou mais objectivos, normalmente, melhorar o seu desempenho. (Hill C, Jones G. Strategic management theory: an integrated approach. Boston, New York: Houghton Mifflin Company, 2001)
estrategia de saúdepesquisar por este termo
Linhas gerais de actuação selectiva para alcançar, atingir as metas e os objectivos. Deve ter subjacente modos de intervenção; formas de intersecção com outros sectores; a conjuntura política, social e económica, bem como os factores técnicos e de gestão que a podem afectar, definição de possíveis obstáculos e possíveis soluções. (Ministério da Saúde. Saúde um compromisso: A estratégia para o virar do século (1998-2002). Lisboa: Ministério da saúde, 1999)
estruturalismopesquisar por este termo
Os interesses estruturais são os que ganham ou perdem pela forma como se organizam os sistemas de saúde. Há três tipos de interesses estruturais: dominantes, desafiadores e reprimidos. Os interesses dominantes são os monopólios profissionais, os interesses desafiadores são os dos administradores ou gestores da saúde e os interesses reprimidos são os da comunidade. (Adaptado de Ham C. Health policy in Britain. London: Macmillan press ltd, 4ª edição, 1999) Abordagem teórica, originalmente derivada do estudo da linguagem, que se preocupa com a identificação de estruturas nos sistemas sociais ou culturais. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
evidênciapesquisar por este termo
Qualidade daquilo que é incontestável, que todos vêm ou podem ver e verificar. Designa-se por "Medicina Baseada na Evidência" o esforço para tomar decisões sobre a prática clínica e sobre as políticas de saúde baseadas no melhor conhecimento disponível no momento sobre as práticas que permitem ter resultados relevantes.
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falhas de Estadopesquisar por este termo
são aquelas que levam a que o Estado não consiga distribuir recursos de forma a garantir bens essenciais como a segurança a educação e os cuidados de saúde. Também são falhas de Estado a incapacidade de controlar o seu próprio território, a queda precipitada do Produto Interno Bruto e do Índice de Desenvolvimento Humano da Nações Unidas, o aumento descontrolado da corrupção, e o descrédito dos lideres.
farmacogenéticapesquisar por este termo
A farmacogenética (termo introduzido em 1959) é o estudo do papel da hereditariedade (isto é, da constituição genética dos individuos) na variação interindividual da resposta aos fármacos. In: João Lavinha. Integração da farmacogenética e da farmacogenomica na personalização da terapêutica medicamentosa. Revista de Saúde Amato Lusitano 2005, IX (21): 7-11
farmacogenómicapesquisar por este termo
A convergência do avanço da farmocogenética com o da caracterização do genoma humano, já no inicio da presente decada, resultou na transição da farmacogenética para a farmacogenómica (termo introduzido em 1997). Embora farmacogenética e farmacogenómica sejam termos sinónimos para todos os efeitos práticos, esta transição implicou o estudo do conjunto de genes cujos produtos estão envolvidos na resposta a fármacos (enzimas metabolizantes, transportadores, receptores, anticorpos contra antigénios especificos de farmacos, cinases, enzimas reparadoras de danos no DNA, genes de susceptibilidade a doenças,...). Trata-se de uma abordagem "pan-genomica" de elucidação da hereditariedade das diferenças entre os individuos no que respeita a fármacos. In: João Lavinha. Integração da farmacogenética e da farmacogenomica na personalização da terapêutica medicamentosa. Revista de Saúde Amato Lusitano 2005, IX (21): 7-11
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ganhos em saúdepesquisar por este termo
melhoras mensuráveis do estado de saúde de um indivíduo ou de uma população, a partir de uma situação de base, e que pode abranger desde aspectos quantitativos de duração da vida a medidas de qualidade de vida. (Ministério da Saúde. Saúde um compromisso: A estratégia para o virar do século (1998-2002). Lisboa: Ministério da saúde, 1999)
gestão baseada na evidênciapesquisar por este termo
Expressão que é usada na sequência do percurso da “medicina baseada na evidência”, num enquadramento de rápidas mudanças do meio envolvente das organizações e de crescente importância e disponibilidade do conhecimento. É a utilização do melhor conhecimento disponível na tomada de decisão. Envolve a procura, a avaliação e a escolha da evidência relevante para uma determinada decisão. (Adaptado de Stewart R. Evidence-based management: a practical guide for health professionals. Oxon: Radcliffe Medical Press ltd, 2002)
gestão da doençapesquisar por este termo
Um sistema de intervenções coordenadas de cuidados de saúde para populações quando os esforços de auto cuidados são significativos. (Adaptado de Disease Management Association of America, 2001) A gestão da doença tem como objectivo coordenar recursos através do sistema de prestação de cuidados. A gestão da doença aplica-se especialmente em doenças crónicas e de evolução prolongada, em que existem grandes variações nas actuações dos profissionais, em que exista má coordenação de cuidados e/ou pouca qualidade dos mesmos. A gestão da doença é a resposta estruturada à existência de um conjunto fragmentado e não coordenado de pólos prestadores de cuidados de saúde (atenção predominante a situações agudas, negligência dos cuidados preventivos, tratamento não baseado na melhor informação disponível). (Adaptado de BMJ 1997; 315:50-53)
gestão de cuidados de saúdepesquisar por este termo
processo para maximizar ganhos em saúde de uma comunidade, dentro de recursos limitados, assegurando que um nível apropriado de serviços seja prestado e monitorizado, numa base individual, para assegurar melhoria contínua, de forma a atingir as metas nacionais para a saúde e para as necessidades individuais de saúde. (NEJM 1996; 335: 883-5).
governabilidadepesquisar por este termo
Balanço entre as necessidades de governo e as capacidades de governo. As necessidades correspondem quer a problemas sentidos pela Sociedade, quer ao aproveitamento de oportunidades. As capacidades respeitam à geração de soluções ou de estratégias que sejam capazes de dar resposta aos problemas ou de aproveitar oportunidades. Quanto maiores forem as capacidades de governo, obviamente, melhor se hão-de satisfazer as necessidades da sociedade em causa e, por isso, mais governável ela será.” Adaptado de Revista de Administração e Políticas Públicas 2001; II (2):8-20
governação clínicapesquisar por este termo
Processo através do qual as organizações de saúde se responsabilizam pela melhoria continua da qualidade dos seus serviços e pela salvaguarda de padrões elevados de qualidade de cuidados. Envolve todos os membros da equipa de saúde pelo reconhecimento do contributo de cada um para a qualidade dos cuidados, implica esforço conjunto, da equipa, para identificar aspectos dos cuidados que necessitem de melhoria e para procurar soluções, implica responsabilização pelos serviços prestados, passando pela disponibilizarão de informação aos utentes. Este ultimo aspecto é bastante importante, não bastando prestar bons cuidados, mas sendo necessário demonstrá-lo, para manter a confiança de colegas e cidadãos. (Adaptado de Roland M, Baker R. Clinical governance: a practical guide for primary care teams. Manchester: National Primary Care Research and Development Centre, 1999) Sinónimos: clinical governance, gestão clínica
governancepesquisar por este termo
A concepção de governação como “governance” está relacionada com o exercício de autoridade politica, económica e administrativa na administração de um país, a todos os níveis. É um conceito que compreende processos, mecanismos complexos, relações e instituições através dos quais cada cidadão e grupos articulam entre si os seus interesses, exercitam os seus direitos e obrigações e medeiam as suas diferenças. O termo governação é utilizado também para os aspectos operacionais do governo (execução do programa do governo) - legislação, estabelecimento de prioridades, financiamento, regulação, contratualização, desenvolvimento de distintos tipos de recursos, organização e gestão.” (adaptado de http://www.who.int/health-systems-performance/docs/glossary.htm#governance<, Dez 2000 e Futuribles; 2001: 41-50)
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hipotesepesquisar por este termo
Uma ideia, ou uma intuição, acerca de um determinado estado de coisas, avançada como base para ser testada empiricamente. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
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incrementalismo de oportunidadepesquisar por este termo
Processo de tomada de decisão feito de sucessivas negociações entre os grupos de interesse presentes e com graus de poder diferentes. A mudança é feita em pequenas etapas, sempre a ser negociadas. (Adaptado de Davies H., Nutley S., Smith P., ed. What works? Evidence-based policy and practice in public services e de Mintzberg, 1994)
incrementalismo logicopesquisar por este termo
Processo de tomada de decisão alternativo face às limitações do planeamento racional e do incrementalismo oportunista, constituido por uma série de subsistemas, ligados entre si, formando um conjunto coeso e persistente, de onde emergem estratégias efectivas.
informaçãopesquisar por este termo
dados organizados, padronizados, agrupados e categorizados, com significado.
investigação em sistemas de saúdepesquisar por este termo
É definida como o estudo rigoroso e organizado do desenvolvimento e sustentação dos serviços de saúde, nomeadamente com a efectividade e eficiência da gestão dos vários componentes do sistema em interacção com a comunidade. Partilha muitos métodos de investigação com a saúde pública mas utiliza mais frequentemente métodos de investigação da sociologia, economia e gestão. Utiliza pois os designados métodos quantitativos e qualitativos de investigação. Os primeiros são mais utilizados em ciências naturais, procuram testar teorias e hipóteses especificas (pensamento dedutivo), identificar relações causais, têm desenhos formais e estruturados. Os segundos são mais utilizados em ciências sociais e humanas, procuram descrever realidades, podem ter desenhos evolutivos e flexíveis e as hipóteses podem ir modificando ao longo do estudo, utilizando um pensamento indutivo (que parte da observação para construir hipóteses). Tem vindo a crescer o reconhecimento de que a separação qualitativo/quantitativo não ajuda ao progresso da investigação. Na investigação em serviços de saúde, o ponto de partida é frequentemente um problema prático especifico que se transforma numa pergunta de investigação. Assim a escolha dos métodos e técnicas de investigação deve ser o apropriado para responder a essa(s) pergunta(s). As técnicas qualitativas são essenciais para explorar tópicos novos e situações complexas. As técnicas quantitativas são apropriadas se o assunto é já conhecido, relativamente simples e passível de ser medido de forma valida (mede o que é suposto medir) e reprodutível (consistência de resultados se voltar a aplicar o instrumento de medida). Há ainda utilidade na aplicação de vários métodos (triangulação) e verificar consistência de resultados ou de suplementação de métodos quantitativos com técnicas qualitativas para verificar a relevância (significado), validade e conteúdo para os respondentes dos dados quantitativos obtidos (Adaptado de Pope C, Mays N. Qualitative research – reaching the parts other methods cannot reach: na introduction to qualitative methods in health and health services research. BMJ 1995; 311: 42-25 e Bowling. A Research methods in health: investigating health and health services. Buckingham: Open University Press, 1997)
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knowledge translationpesquisar por este termo
É a comunicação, síntese e aplicação do conhecimento, num sistema complexo de interacções entre investigadores e utilizadores, para acelerar a captura de benefícios da investigação para melhoria da saúde, da efectividade dos serviços e fortalecimento do sistema de saúde. Inicialmente conceptualizava-se a transferência de conhecimento como um fluxo unidireccional e lógico, dos produtores para os utilizadores do conhecimento. A não utilização do conhecimento era explicado pelas diferenças culturais entre as duas comunidades - produtores e utilizadores do conhecimento. Actualmente, olha-se a transferência de conhecimento como um processo recíproco de interacções entre os produtores (investigadores) e os utilizadores (políticos, prestadores de serviços de saúde, organizações não governamentais, industria, publico em geral) do conhecimento. (Adaptado de BMJ 2003; 327: 33-35 e J Health Serv Res Policy 2003, 8 (2): 94-99) Sinónimos: knowledge exchange, knowledge utilization, research transfer, research utilization
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liderançapesquisar por este termo
É um comportamento intra-grupal de seguimento de uma pessoa que orienta a acção do grupo de forma tacitamente consentida e afectivamente desejada. É pois, na sua expressão suprema uma forma de relação excepcional. A liderança exerce poder, mas o poder que exerce depende mais de si e do seu comportamento, que de acções externas. É um poder pessoal. O seu exercício inspira fé e confiança, favorece a formação de expectativas positivas, motiva e empenha, apaga ansiedades e dúvidas, protege e apoia os subordinados. (Pereira OG. Fundamentos de comportamento organizacional. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1999, pg 301)
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managed carepesquisar por este termo
O "managed care" foi desenvolvido nos Estados Unidos em resposta aos custos crescentes da saúde e à disfuncionalidade entre serviços fragmentados. Designa uma série de métodos de financiamento e organização de prestação de cuidados de saúde compreensivos (todos os cuidados necessários e de forma coordenada) com os quais se faz um esforço de controlo de despesas e de melhoria ou manutenção de níveis de qualidade. Este tipo de gestão faz-se, nos Estados Unidos, essencialmente em dois tipos de organizações : as HMO – Health Mantenance Organisations e as PPO – Prefered Provider Organisation. O "managed care" compreende três dimensões: políticas de saúde, gestão de sistemas (como se vai aplicar a política) e a gestão da doença (como se lida com algumas das doenças que vão aparecer no sistema). (BMJ 1997, 314: 1823-1826) Sinónimos: gestão de cuidados de saúde
mecanismo de mercadopesquisar por este termo
Processo idealizado onde a oferta de bens é igual à sua procura. Se o preço de mercado for demasiado elevado, a procura diminuirá e os fornecedores ver-se-ão obrigados a reduzi-lo para evitarem a falência das suas empresas. Se o preço de mercado for demasiado baixo, a procura aumenta e os fornecedores reconhecerão a oportunidade de fazer subir seus preços. A eficiência do mecanismo de mercado depende da não existência de quaisquer distorções, tais como as externalidades, o monopólio, a ignorância do consumidor, etc.. Nestes casos é improvável que o preço 'clarifique' as escolhas de consumidores e fornecedores. (Pereira,J. Economia da saúde: glossário de termos e conceitos. APES: Lisboa, 1992)
medicina baseada na evidênciapesquisar por este termo
A “medicina baseada na evidência” é a procura de integração explícita da prática clínica com a melhor evidência disponível de que as intervenções escolhidas melhoram de forma significativa a saúde. A “medicina baseada na evidência” diminui a ênfase, na decisão clínica, da intuição, da experiência clínica não sistematizada, e do raciocínio patofisiologico, como bases suficientes para a decisão, sublinhando a evidência que provem da investigação clínica. A expressão surge nos anos 80, no Canada, num contexto de expansão e disponibilização do conhecimento, de melhoria de níveis de educação e informação do público em geral, de declínio da deferência para com a autoridade, de aumento da exigência de responsabilização das entidades públicas. (JAMA 1992, 268(17):2420-2425; BMJ 1996, 312:71-72; Hematology/Oncology Clinics of North America 2000, 14 (4): 761-784)
metaspesquisar por este termo
Objectivo definido em termos específicos, geralmente quantificados, a alcançar num período de tempo, claramente definido. Aplica- se tanto a resultados como a processos. Utiliza-se para aspectos prioritários no sentido de estimular a sua realização. Requer monitorização e avaliação e obriga frequentemente a desenvolver sistemas de informação para o efeito. (Ministério da Saúde. Saúde um compromisso: A estratégia para o virar do século (1998-2002). Lisboa: Ministério da saúde, 1999)
n
negociaçãopesquisar por este termo
Meio para encontrar uma solução para um conflito, presente ou potencial, em que cada uma das partes declara os seus interesses e procura obte-los, o máximo que conseguir, pela troca de concessões. (Adaptado de Ritsatakis A, Barnes R. Exploring health policy development in Europe. WHO, 2000)
o
organização de saúdepesquisar por este termo
Organização de saúde é um estabelecimento ou serviço que contribui para a prevenção, o diagnóstico, tratamento e reabilitação de situações de doença. (Adaptado de WHO, 1996)
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pandemiapesquisar por este termo
O significado etimológico da palavra aproxima-se de "que afecta toda a gente", do grego "pandemos", isto é, pan (toda) + demos (população). Conceptualmente, exprime a extensão de uma epidemia à escala global, atingindo um grande número de pessoas e não respeitando as fronteiras internacionais. Costuma referir-se a uma doença transmissível, mas parece-nos aceitável que se refira a qualquer outro tipo de doença que se comporte, na população, como uma epidemia que exceda largamente a sua escala espacio-temporal previsível. São importantes exemplos as pandemias de gripe, ou influenza, de 1918 e de 1957, assim como a actual pandemia de SIDA. (Teodoro Briz, adaptado de Friis R & Sellers T, 2004; Last J, 1988. Pode encontrar-se uma figura ilustrativa e a base de evidência num artigo localizado em "Investigação e evidência", neste portal)
pirâmidepesquisar por este termo
Uma estrutura em pirâmide corresponde ao que seu próprio nome indica: as pessoas ou entidades organizam-se em níveis hierárquicos, que se sobrepõem, cada nível compreendendo menos integrantes do que o nível que lhe é inferior. O conjunto afunila-se a partir de uma base que pode ser mais ou menos ampla, para chegar a um topo no qual se pode encontrar um único integrante – o "chefe". A comunicação entre integrantes de diferentes níveis faz-se de cima para baixo ou de baixo para cima, através dos níveis intermediários àqueles que se comunicam. (Adaptado de Whitaker F. Rede: uma estrutura alternativa de organização. www.rits.org.br<)
planeamentopesquisar por este termo
Processo pelo qual se pretende influenciar o futuro empreendendo mudanças na organização e no seu ambiente, estabelecendo objectivos e estratégias para os alcançar.
planeamento estratégicopesquisar por este termo
Processo pelo qual uma organização escolhe as acções a desencadear de forma a atingir objectivos estabelecidos (Hill C, Jones G. Strategic management theory: an integrated approach. Boston, New York: Houghton Mifflin Company, 2001)
planeamento racionalpesquisar por este termo
a tomada da decisão é feita com base em factos, conhecimento e razão (em oposição à tomada de decisão com base na intuição). Deve ser explicito, rigoroso e sistemático, baseado em tecnicas e processos lógicos. (Adaptado de Davies H., Nutley S., Smith P., ed. What works? Evidence-based policy and practice in public services e de Mintzberg, 1994)
pluralismopesquisar por este termo
O essencial da teoria pluralista é que os recursos que contribuem para o poder estão distribuídos entre diferentes grupos. O poder é, de facto, partilhado entre grupos governamentais e interesses externos que exercem pressão sobre eles. É pois uma abordagem que fornece uma descrição detalhada dos processos de decisão e de análise das influencias individuais, de grupo e de organizações sobre os processos políticos. (Adaptado de Ham C. Health policy in Britain. London: Macmillan press ltd, 4ª edição, 1999)
pluralismo culturalpesquisar por este termo
Coexistência igualitária de várias subculturas no âmbito de determinada sociedade. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
política de saúdepesquisar por este termo
Declaração formal ou procedimentos dentro de instituições (nomeadamente governo) que definem ou revelam as prioridades e as linhas de acção, assim como os processos para as definir, para responder a necessidades em saúde, recursos disponíveis e outras pressões políticas. (Adaptado de The Observatory's Health Systems Glossary. www.observatory.dk<)
políticas públicas baseadas na evidênciapesquisar por este termo
Este conceito designa a preocupação em melhorar a utilização da evidência e da investigação nas políticas públicas. A expressão surge ao longo dos anos 90, no Reino Unido, num contexto semelhante ao que influencia o aparecimento da “medicina baseada na evidência” e de aumento de organizações que procuram influenciar os governos, nomeadamente, através da preparação e apresentação de “evidência” de vária ordem. Uma expressão muito associada a este conceito, “what matters is what works”, foi utilizada pelo governo trabalhista eleito em 1997 no Reino Unido (Adaptado de Davies H, Nutley S, Smith P. What works? Evidence-based policy and practice in public services. The policy press: Bristol, 2000 e Solesbury, W. Evidence based policy: whence it came and where it's going. ESRC UK Centre for Evidence Based Policy and Practice, (http://evidencenetwork.org/cgi-win/enet.exe/biblioview?404<)
priorizaçãopesquisar por este termo
Os termos priorização (priority setting), racionar (rationing) e distribuição de recursos (resource allocation) são muitas vezes usados de forma equivalente. A questão fundamental é saber que serviços comprovadamente benéficos devem ser oferecidos pelo Serviço Nacional de Saúde e quais não devem ser e que processos se utilizam para fazer as escolhas. (Adaptado de BMJ 1996; 312:1593-1601)
processopesquisar por este termo
Pode ser descrito como sendo um conjunto de actividades interrelacionadas e interactivas que, desencadeadas em condições controladas, transformam entradas em saídas no sentido de proporcionar valor acrescentado e satisfação ao cliente e a todas as partes interessadas. Os processos podem ser afectados por um ou mais dos seguintes factores, também conhecidos pelos 6M's: mão-de-obra operacional (Manpower), materiais utilizados como "entradas" (Materials), máquinas ou equipamento utilizados na execução/monitorização (Machines), métodos incluindo a documentação do sistema (Methods), meio de trabalho (Mother Nature - Environment) e medição/monitorização (Measurements). (Alexandre Sousa e Pilar Baylina, adaptado de ISO/TC 176/SC 2/N 544R2(r) - ISO 9000 Introduction and Support Package: Guidance on the Concept and Use of the Process Approach for management systems, 2004")
promoção da saúdepesquisar por este termo
É o processo que visa criar condições para que as pessoas aumentem a sua capacidade de controlar os factores determinantes da saúde, no sentido de a melhorar. Os principais factores que determinam a saúde – genéticos, biológicos, comportamentais, ambientais e serviços de saúde – fundamentam uma acção em promoção da saúde implicando o desenvolvimento de actividades diversificadas, que podem ser sistematizadas em três vertentes de intervenção que se relacionam e complementam: Educação para a saúde – processo que utiliza a comunicação pedagógica no sentido de facilitar a aprendizagem da saúde; Prevenção da doença – conjunto de medidas que visam evitar, detectar e tratar precocemente doenças específicas e eventuais sequelas; Protecção da saúde – conjunto de medidas destinadas ao controlo de factores de risco de natureza ambiental e à preservação dos recursos naturais. (Adaptado de Carta de Otawa, OMS, 1986)
r
racionalizaçãopesquisar por este termo
Um conceito utilizado por Weber para se referir ao processo através do qual modos de cálculo e organização precisos, que envolvem regras abstractas e procedimentos, dominam cada vez mais o mundo social. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
recursospesquisar por este termo
Elementos básicos para a produção – tempo e capacidades dos indivíduos (recursos humanos), recursos naturais (ar, água, terra, minerais), a transformação e acumulação destes em capital (instalações, equipamentos) e conhecimento em processos de produção (tecnologias). (Adaptado de Banco Mundial, 2000, citado em The Observatory’s Health Systems Glossary. www.observatory.dk<)
redepesquisar por este termo
Uma estrutura em rede – que é uma alternativa à estrutura piramidal – corresponde também ao que seu próprio nome indica: os seus participantes ligam-se horizontalmente uns aos outros, directamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode espalhar-se indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou central, nem representante dos demais. Não há um "chefe", o que há é uma vontade colectiva de realizar determinado objectivo. (Adaptado de Whitaker F. Rede: uma estrutura alternativa de organização. www.rits.org.br<)
regulaçãopesquisar por este termo
Controlo sustentado, exercido por uma entidade pública sobre actividades que são valorizadas pela comunidade. Envolve um terceiro – o regulador – nas transacções do mercado da saúde ou no sistema de saúde e nas relações interinstitucionais e responsabiliza pela garantia de desempenho adequado uma entidade – o regulado. A regulação é frequentemente olhada como meio para alcançar objectivos sociais como a equidade, diversidade, ou solidariedade social e de conter interesses corporativos, profissionais ou outros. (Adaptado de Walshe K. The rise of regulation in the NHS. BMJ 2002;324:967-970)
s
símbolopesquisar por este termo
Um item utilizado para substituir ou representar outro – como no caso de uma bandeira que representa uma nação. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
sistema de saúdepesquisar por este termo
Os sistemas de saúde são constituidos pelo conjunto de recursos, actores e instituições relacionadas com a regulação, financiamento e realização de acções de saúde. Estas definem-se como sendo aquelas actividades cujo objectivo primário é promover ou proteger a saúde. (Murray e Frenk, A WHO framework for health systems performance assessment, www.who.org<) Sinónimos: health system
sistemas de alta autonomiapesquisar por este termo
Organizações ou contextos laborais em que se permite aos indivíduos grandes níveis de autonomia na gestão das suas tarefas laborais. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
sistemas de pequena responsabilidadepesquisar por este termo
Uma estrutura organizacional ou laboral na qual os indivíduos têm pouca responsabilidade pela tarefa que desenvolvem ou escasso controlo sobre a mesma. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
sociedade de riscopesquisar por este termo
Uma noção associada ao sociólogo alemão Ulrich Beck. Beck argumenta que a sociedade industrial criou muitos novos perigos de risco desconhecidos em épocas anteriores. Os riscos associados ao aquecimento global são um exemplo. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)
stakeholder analysispesquisar por este termo
A "stakeholder analysis" é uma técnica que permite melhorar a selecção, eficácia e eficiência de uma política ou projecto pela identificação das organizações ou indivíduos que serão afectados, positiva ou negativamente, e ainda os que terão interesses nessas mesmas politicas e projectos. Implica a identificação da mudança prevista (o quê?) quem vai conduzir a mudança (quem?) quem serão os vencedores e os perdedores da mudança, que conflitos serão previsíveis, que interesses porão em causa a sua viabilidade.
SWOTpesquisar por este termo
A análise SWOT – análise das forças (strengths) e fraquezas (weaknesses) da organização, e das oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) do meio externo – é um instrumento utilizado no planeamento estratégico. O seu objectivo é gerar alternativas que permitam à organização utilizar as suas forças para explorar oportunidades, enfrentar ameaças e corrigir fraquezas. (Adaptado de Hill C, Jones G. Strategic management theory: an integrated approach. Boston, New York: Houghton Mifflin Company, 2001)
t
tecnologiapesquisar por este termo
A aplicação do conhecimento à produção do mundo material. A tecnologia envolve a criação de instrumentos materiais (tais como máquinas) utilizados na interacção humana com a natureza. (Giddens A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000)